Quarta-feira, 14.11.12

Em 1992 ninguém acreditava na independência de Timor-Leste, 10 anos depois


Um dos organizadores do Lusitânia Expresso - Missão Paz em Timor, realizada em março de 1992, Rui Marques recordou hoje à Lusa que há 20 anos ninguém acreditava que a independência do país chegasse dez anos depois.

"Há 20 anos este momento que hoje estamos a viver era inimaginável. Quando um grupo de estudantes portugueses em torno da revista Fórum Estudante, e depois estudantes de 23 países se organizaram com a Missão Paz em Timor para fazer falar de Timor, eram poucos os que acreditavam que algum dia a independência chegasse e muito menos que durasse só dez anos até esse momento", afirmou Rui Marques.

 

O Lusitânia Expresso - Missão de Paz a Timor, na sequência do massacre de Santa Cruz, ocorrido 12 de novembro de 1991, teve como principal objetivo chamar a atenção da opinião pública internacional para a causa timorense.

O número de mortos do massacre nunca foi definido, mas o Comité 12 de Novembro fala em mais de 200 pessoas.

O Lusitânia Expresso tinha como objetivo chegar a Timor-Leste para homenagear as vítimas do massacre de 12 de novembro, com a deposição de uma coroa de flores no cemitério, mas a 11 de março de 1992, a marinha indonésia impediu a aproximação do "ferryboat".

"Foi um momento muito intenso que marcou definitivamente as nossas vidas pessoais, mas também creio que deu um pequeno contributo, uma gota de água no oceano, para a libertação de Timor", disse.

Rui Marques encontra-se em Díli para participar nas comemorações do 20.º aniversário do Lusitânia Expresso, integradas no 21.º aniversário do massacre de Santa Cruz, que incluem uma conferência, exposições e apresentação de uma série de documentários.

"Vinte anos depois é fantástico estar em Timor. Um país já com dez anos de independência. O caminho ainda tem muitas dificuldades pela frente, mas com aquilo que os timorenses provaram no passado, não há nenhuma razão para que não sejam capazes no futuro, de vencer obstáculos difíceis e conseguirem focar-se naquilo que é agora a grande batalha, que é o desenvolvimento do país", acrescentou.

East Timor Peace Mission

A documentary by Geneviève Appleton



Timor-Leste celebra 20.º aniversário do Lusitânia Expresso com uma conferência e exibição de documentários

 

As autoridades timorenses vão comemorar entre domingo e terça-feira o 20.º aniversário do Lusitânia Expresso - Missão de Paz a Timor-Leste com uma conferência, uma exposição e a exibição de um conjunto de documentários sobre aquela operação.

"Vai ser apresentado pela primeira vez ao público timorense o documentário 'Lusitânia Expresso, 20 anos depois' do realizador português Francisco Manso e outros documentários produzidos para as televisões do Canadá, Estados Unidos e Austrália", disse à agência Lusa Rui Correia, da organização das comemorações.

Segundo a mesma fonte, os documentários foram realizados por representantes da imprensa internacional que participaram no Lusitânia Expresso.

O Lusitânia Expresso - Missão de Paz a Timor, surge na sequência do massacre de Santa Cruz, ocorrido 12 de novembro de 1991, e teve como principal objetivo chamar a atenção da opinião pública internacional para a causa timorense.

O número de mortos em resultado do massacre nunca foi definido, mas o Comité 12 de Novembro fala em mais de 200 pessoas.

O Lusitânia Expresso tinha como objetivo chegar a Timor-Leste para homenagear as vítimas do massacre de 12 de novembro com a deposição de uma coroa de flores no cemitério, mas a 11 de março de 1992 a marinha indonésia impediu a aproximação do ferryboat.

Na conferência vão participar o bispo de Díli, Alberto da Silva Ricardo, que ajudou muitos jovens que fugiram na sequência do massacre no cemitério, Mário Carrascalão, governador de Timor-Leste na altura dos acontecimentos, e o ex-Presidente timorense, José Ramos-Horta.

Rui Marques, um dos organizadores do Lusitânia Expresso, também estará presente na conferência.

Em declarações à Lusa quando se assinalaram os 20 anos da partida do navio, Rui Marques referiu que o Lusitânia Expresso esteve para não partir, devido a problemas técnicos, mas o navio lá acabou mesmo por iniciar viagem no dia 23 de janeiro de 1992.

A operação foi "uma grande odisseia", levada a cabo "sem nenhum apoio praticamente", mas que mobilizou estudantes de 23 países, destacou o fundador da revista Fórum Estudante e do partido Movimento Esperança Portugal (MEP), que foi também alto-comissário para a Imigração e as Minorias Étnicas.

"Várias personalidades portuguesas não foram ao 'Lusitânia' porque tinham medo do que podia acontecer", frisou. O ex-Presidente da República e general Ramalho Eanes seguiu a bordo do navio. "Foi um contributo notável, muito corajoso. (...) Teve a coragem de embarcar, de confiar num grupo de jovens, que liderava a missão, e de estar disposto a correr todos os riscos", elogiou na altura Rui Marques.

No âmbito das comemorações em Díli, integradas no 21º aniversário do massacre de Santa Cruz, está também prevista uma exposição sobre os acontecimentos, a realizar no Museu da Resistência timorense.


Quinta-feira, 08.11.12

Calendário Programas Actividades

Agenda da Conferência


TIMOR, A SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL E O FUTURO

20º ANIVERSÁRIO DO LUSITÂNIA EXPRESSO E COMEMORAÇÕES DO 12 DE NOVEMBRO


DILI, TIMOR-LESTE


1º Dia (11 de Novembro)

Edifício do Ministério dos Negócios Estrangeiros

 

09:00 Abertura pelo Presidente do Parlamento Nacional da RDTL Dr. Vicente Guterres (aguarda confirmação)

 

OS ANTECEDENTES

O 28 de Outubro


09:30 Intervenção do representante da Associação 28 de Outubro – Julião Mauseri

10:10 Perguntas e Respostas

10:30 Pausa para café


O Massacre de Santa Cruz


11:00 Visionamento do documentário Massacre de Santa Cruz

11:30 Intervenção de Max Stahl

12:00 Perguntas e Respostas

12:30 Almoço

14:00 Intervenção do representante do Comité 12 de Novembro – Gregório Saldanha

14:40 Perguntas e Respostas

 

O 19 de Novembro


15:00 A manifestação dos Estudantes em Jakarta Vergilio Guterres

15:30 Perguntas e Respostas

15:50 Pausa para café

16:10 Reacções e consequências internas do 12 de Novembro Dom Alberto da Silva Ricardo (Bispo de Dili) e Mário Carrascalão (Ex-governador)

16:40 Perguntas e Respostas

17:00 Testemunhos de intervenientes

20:00 Noite de reflexão no Cemitério de Santa Cruz, Padre Jordão (Participação voluntária)


2º Dia (12 de Novembro)


08:00 Missa na Igreja de Motael

09:30 Inauguração do monumento ao 12 de Novembro (frente à Igreja Motael)

11:30 Romagem de homenagem ao Cemitério de Santa Cruz

12:30 Vigilia no cemitério de Santa Cruz e deposição de uma coroa de flores dos participantes na Missão Paz em Timor.

13:00 Encerramento das cerimónias

16:00 Inauguração da Exposição (Arquivo e Museu da Resistência Timorense)

19:00 Sessão Cultural (poesia, dança e música) e atribuição de prémios aos vencedores das actividades desportivas. Ginásio Dili

20:00 Apresentação de uma peça de teatro alusiva ao Massacre de Santa Cruz. Ginásio Dili


3º Dia (13 de Novembro)

Edifício do Ministério dos Negócios Estrangeiro

 

REAÇÃO E SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL

A Missão Paz em timor – Lusitânia expresso


09:00 Projeção do documentário “O Expresso de Timor”, RTP

09:30 A ideia da Missão Rui Marques (director da Missão) e Doutor José Ramos Horta (Prémio Nobel)

10:00 Portugal e a Missão Paz em Timor Nuno Ribeiro da Silva (ex-Secretário de Estado da Juventude, à época)

10:20 Perguntas e Respostas

10:40 Coffee Break

11:00 A Cobertura Mediática da Missão Rui Cardoso Martins

(Jornalista do Público – Portugal, participante na Missão) Dewi Anggraeni (Jornalista da revista Tempo-Indonésia, participante na Missão)

11:30 Perguntas e Respostas

12:00 Almoço

14:00 A participação dos estudantes na Missão Paz em Timor Fernando Guerra (Presidente da Associação Académica de Coimbra à época) Francisca Assis Teixeira (participante e membro da organização da Missão) João Van Zeller (Participante e membro da organização da Missão) Rui Correia (Presidente da ONGD Sul Cooperação e Desenvolvimento) Genevieve Appleton (Participante, estudante canadiana) Loren Ryder (participante, estudante norte-americano) Margarida Gonçalves Neto (participante, chefe da equipa médica de apoio)

15:15 Perguntas e respostas

15:45 A presença de timorenses no LE e a organização de recepção do Lusitânia Expresso em Timor Donaciano Gomes “Pedro Klamar Fuik” (Único participante timorense na Missão)

16:30 Perguntas e Respostas

16:45 Pausa para café

17:15 Primeira apresentação do documentário “20 anos depois do Lusitânia Expresso” com a participação do realizador Francisco Manso (Ministério dos Negócios Estrangeiros)

18:30 O Lusitânia e a resistência no interior Intervenção e encerramento por Sua Excelência o Prémio Nobel Doutor José Ramos Horta

19:00 Conferência de Imprensa





Foto 12 de Novembru 1991

 

 

 

 

Hetan foto barak iha Arkivu ho Muzeu Resistensia Timorense

O Lusitânia e a sua Tripulação

 

A História da Missão Paz em Timor

 

Em sequência das preparações de recepção à delegação de parlamentares portugueses, a 12 de Novembro de 1991 mais de duas mil pessoas reuniram-se numa marcha até ao cemitério de Santa Cruz, em Díli, para prestar homenagem ao jovem Sebastião Gomes, morto em Outubro desse ano por elementos ligados às forças indonésias.

 

No cemitério, militares indonésios abriram fogo sobre os manifestantes do que resultou a morte de 74 pessoas no local e de 127 nos dias seguintes vítimas dos ferimentos e da perseguição que foram alvo.

 

Manifestações de estudantes timorenses no exterior chamam a atenção da comunidade internacional.

 

Em Portugal e no mundo a sociedade civil mobiliza-se e organiza-se, surgindo com o objectivo de sensibilizar a opinião pública internacional para a causa timorense, a Missão Paz em Timor, que a bordo do ferry Lusitânia Expresso, com o intuito de homenagear as vitimas do massacre de 12 de Novembro e chamar a atenção da comunidade internacional, leva 120 estudantes de 23 países até ao Mar de Timor, onde são bloqueados pela marinha de guerra indonésia.



 

Imagens Lusitânia Expresso

Comissão Organizadora

Missão Paz em Timor

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