Timor-Leste celebra 20.º aniversário do Lusitânia Expresso com uma conferência e exibição de documentários

 

As autoridades timorenses vão comemorar entre domingo e terça-feira o 20.º aniversário do Lusitânia Expresso - Missão de Paz a Timor-Leste com uma conferência, uma exposição e a exibição de um conjunto de documentários sobre aquela operação.

"Vai ser apresentado pela primeira vez ao público timorense o documentário 'Lusitânia Expresso, 20 anos depois' do realizador português Francisco Manso e outros documentários produzidos para as televisões do Canadá, Estados Unidos e Austrália", disse à agência Lusa Rui Correia, da organização das comemorações.

Segundo a mesma fonte, os documentários foram realizados por representantes da imprensa internacional que participaram no Lusitânia Expresso.

O Lusitânia Expresso - Missão de Paz a Timor, surge na sequência do massacre de Santa Cruz, ocorrido 12 de novembro de 1991, e teve como principal objetivo chamar a atenção da opinião pública internacional para a causa timorense.

O número de mortos em resultado do massacre nunca foi definido, mas o Comité 12 de Novembro fala em mais de 200 pessoas.

O Lusitânia Expresso tinha como objetivo chegar a Timor-Leste para homenagear as vítimas do massacre de 12 de novembro com a deposição de uma coroa de flores no cemitério, mas a 11 de março de 1992 a marinha indonésia impediu a aproximação do ferryboat.

Na conferência vão participar o bispo de Díli, Alberto da Silva Ricardo, que ajudou muitos jovens que fugiram na sequência do massacre no cemitério, Mário Carrascalão, governador de Timor-Leste na altura dos acontecimentos, e o ex-Presidente timorense, José Ramos-Horta.

Rui Marques, um dos organizadores do Lusitânia Expresso, também estará presente na conferência.

Em declarações à Lusa quando se assinalaram os 20 anos da partida do navio, Rui Marques referiu que o Lusitânia Expresso esteve para não partir, devido a problemas técnicos, mas o navio lá acabou mesmo por iniciar viagem no dia 23 de janeiro de 1992.

A operação foi "uma grande odisseia", levada a cabo "sem nenhum apoio praticamente", mas que mobilizou estudantes de 23 países, destacou o fundador da revista Fórum Estudante e do partido Movimento Esperança Portugal (MEP), que foi também alto-comissário para a Imigração e as Minorias Étnicas.

"Várias personalidades portuguesas não foram ao 'Lusitânia' porque tinham medo do que podia acontecer", frisou. O ex-Presidente da República e general Ramalho Eanes seguiu a bordo do navio. "Foi um contributo notável, muito corajoso. (...) Teve a coragem de embarcar, de confiar num grupo de jovens, que liderava a missão, e de estar disposto a correr todos os riscos", elogiou na altura Rui Marques.

No âmbito das comemorações em Díli, integradas no 21º aniversário do massacre de Santa Cruz, está também prevista uma exposição sobre os acontecimentos, a realizar no Museu da Resistência timorense.